sábado, 10 de junho de 2017

Paradoxo: TSE comprova a corrupção, mas absolve quem se beneficiou


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Como se diz no futebol, foi uma jogada ensaiada
Pedro Coutto
Esta é a síntese do julgamento que se estendeu por vários dias, transmitido pela GloboNews, e que terminou na noite desta sexta-feira com o voto de desempate do Ministro Gilmar Mendes,  que, entre as suas razões, colocou a necessidade de se respeitar a vontade popular e sustentar a estabilidade política  do país.
Os ministros Herman Benjamin, Luiz Fux e Rosa Weber pronunciaram-se a favor praticamente do fim do mandato do presidente Michel Temer. Sustentaram não ser possível ignorar o mar de corrupção que transformou doações à campanha eleitoral de 2014 num túnel destinado a dividir a propina, originária dos contratos firmados entre a Petrobrás e a Odebrecht.
MARCADO PARA SEMPRE – Um dado que vale a pena ressaltar e que, pela natureza histórica do julgamento, ficará marcado na memória brasileira. Os sete ministros, por unanimidade reconheceram a ocorrência de uma corrupção maciça envolvendo as eleições, porém quatro dos sete integrantes do Tribunal decidiram não reconhecer a importância das revelações feitas por testemunhas do processo nem as abundantes provas nos autos
Destacando a importância do trabalho do relator Herman Benjamin, o ministro Luis Fux afirmou ser impossível desconhecer a realidade da corrupção praticada em escalas milionárias em torno do pleito sucessório. O mesmo raciocínio foi o do relator e base também do voto da ministra Rosa Weber.
ESTRANHA DUALIDADE – Sem dúvida alguma ficou na noite de sexta-feira marcada uma dualidade estranha: um Tribunal reconhece a procedência das provas, mas as desconhece para efeito do julgamento final.
Ao longo da semana de apreciação do recurso contra a posse da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, houve um  momento em que o ministro Gilmar Mendes, presidente da Corte, ao relembrar ter sido o responsável pela continuidade do julgamento, pois foi voto vencedor contra o arquivamento do processo, mandou às favas a modéstia.
Neste ponto reviveu a frase célebre de Jarbas Passarinho, dirigida ao Presidente Costa e Silva no anoitecer dramático do Ato 5, quando conclamou a necessidade da medida ditatorial: “Presidente, se o Ato é necessário, às favas os escrúpulos da consciência”.
A história, como se vê, aproximou os dois autores na estrada do tempo.
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