segunda-feira, 12 de junho de 2017

Novas delações em andamento assustam o Planalto e exibem a força da Lava Jato


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Charge do Son Salvador (Charge Online)
Wálter Nunes e Venceslau Borlina Filho
Folha
Há entre os ocupantes do Palácio do Planalto o temor de que novas delações premiadas venham a atingir o presidente Michel Temer e sua estrutura de governo. Três importantes políticos do PMDB envolvidos em corrupção já estão presos e podem fazer delação, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Rocha Loures, assim como o doleiro Lúcio Funaro, que já começou a depor. Há outras possibilidades de delação em andamento, é um nunca-acabar, porque a única possibilidade de escapar da cadeia é fazer acordo com a Justiça. Confira agora os possíveis homens-bomba que estão perto de delatar suas relações com o atual governo, os anteriores e as empresas que se envolveram nos diversos esquemas de corrupção;
ROCHA LOURES – ex-deputado federal e ex-assessor especial da Presidência, indicado pelo próprio Michel Temer para ser a ponte entre Joesley Batista, dono do grupo empresarial J&F, e o presidente da República. Assumiu um posto que era antes de Geddel Vieira Lima. Flagrado pela PF carregando uma mala com R$ 500 mil, propina da JBS, ele pode revelar o verdadeiro destino do dinheiro enviado pela empresa e apontar quem seriam os beneficiados
EDUARDO CUNHA – ex-presidente da Câmara dos Deputados, acusado de ser o pivô de vários esquemas de cobrança propina de empresas com contratos com a Petrobras e também interessadas em financiamentos com dinheiro do fundo do FGTS. Pode relatar como funcionava e quem se beneficiava desses esquemas. Era próximo a Temer. Enviou perguntas a ele questionando sobre doações de campanha e relações com empresários
HENRIQUE EDUARDO ALVES – ex-deputado federal e ex-ministro nos governos Dilma e Temer, acusado de ter recebido R$ 7,15 milhões em propinas de empreiteiras, entre elas uma parte repassada pela OAS relativa à construção da Arena das Dunas, em Natal. Próximo de Temer, trabalhou como arrecadador do PMDB. Manteve influência na área internacional da Petrobras e tinha relação próxima com as construtoras. Foi responsável por nomeações na Caixa. Está preso.
LÚCIO FUNARO – doleiro e operador do PMDB, acusado de lavagem de dinheiro e de operar um esquema de cobrança de propinas em financiamentos do fundo do FGTS. Apareceu nas delações da Odebrecht e da JBS e já está preso. Pode revelar o caminho do dinheiro recebido por pemedebistas em vários esquemas de corrupção, como JBS, Caixa Econômica Federal e Odebrecht, além de caixa dois de campanhas eleitorais.
ANTONIO PALOCCI – ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, respectivamente nos governos Lula e Dilma, está preso e é réu por lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa. É apontado como captador para as campanhas do PT e teria facilitado a tramitação de leis que beneficiaram bancos e outros setores. É peça-chave para decifrar o caminho do dinheiro que a Odebrecht destinava ao ex-presidente Lula. Seria ele quem operava a “conta amigo”, reservada ao ex-presidente. Era o elo do PT com o o mercado financeiro.
GUIDO MANTEGA – ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma Rousseff, preso e solto no mesmo dia em 2016, é acusado pelo dono da JBS de ter distribuído propina da empresa para parlamentares petistas. Também é acusado de ter pedido R$ 5 milhões a Eike Batista para saldar dívidas de campanha. Teria demonstrado disposição em detalhar como funcionavam os vários esquemas de caixa dois das campanhas petistas, incluindo as campanhas presidenciais de Dilma Rousseff.
RENATO DUQUE – ex-diretor de engenharia e serviços da Petrobras, preso em novembro de 2014, solto e novamente preso em março de 2015. Recebia propina das empresas que mantinham contratos com a área de serviços da Petrobras. Era considerado o elo do PT no esquema de corrupção desvendado na Lava Jato. Pode detalhar o caminho dessa propina paga pelas empresas que contratavam com sua diretoria. Duque era considerado um diretor da cota do PT e promete delatar Lula.
HENRIQUE CONSTANTINO – um dos donos da Gol Linhas Aéreas e de outras empresas. Ainda não está preso. Teria subornado políticos do PMDB, incluindo o ex-deputado Eduardo Cunha, para conseguir financiamento do Fundo de Investimentos do FGTS para a Via Rondon, uma de suas empresas. Já contou aos procuradores episódio em que pagou uma propina de R$ 10 milhões de propina a Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e à campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo
LÉO PINHEIRO – ex-presidente da OAS, empreiteira implicada na Lava Jato, foi preso em 2014 e 2016, por ter distribuído propina a diretores da Petrobras, agentes públicos e políticos para obter e manter contratos com a Petrobras. Também é investigado, por exemplo, por desvios em estádios da Copa. Executivos e acionistas da empreiteira pretendem detalhar aos procuradores pagamentos de propinas a políticos, membros dos fundos de pensão e membros do Judiciário.
OUTRAS EMPREITEIRAS – A Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, empreiteiras flagradas pagando a políticos e diretores da Petrobras, já fecharam acordo de delação premiada admitindo o pagamento de propina a políticos e agentes públicos no âmbito da Lava jato. Apesar desses acordos, agora vão ampliar os temas que revelaram. Estão refazendo os depoimentos aos procuradores. A Andrade relata suborno em troca de contratos no setor elétrico. A Camargo, propinas em obras em de São Paulo.
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