terça-feira, 6 de junho de 2017

Nasa detalha missão que pretende ‘tocar’ o Sol


Por: iBahia
05/06/2017 - 19:00

A Nasa divulgou no início da tarde desta quarta-feira mais detalhes da missão Solar Probe Plus, com a qual pretende ‘tocar’ o Sol. Com lançamento previsto para meados do ano que vem, a sonda — agora rebatizada Parker Solar Probe em homenagem a Eugene Parker, professor emérito da Universidade de Chicago que previu a existência do vento solar, o constante fluxo de partículas em alta velocidade emitido por nossa estrela – deverá chegar a apenas cerca de 6 milhões de quilômetros do Sol para estudar sua atmosfera e ajudar a responder questões de décadas sobre seu funcionamento.
“A Nasa nunca havia batizado uma nave com o nome de um pesquisador vivo, mas isto muda hoje com a renomeação da Solar Probe Plus como Parker Solar Probe poucos dias antes de seu nonagésimo aniversário”, destacou Thomas Zurbuchen, chefe da Divisão de Missões Científicas da Nasa, no anúncio feito na Universidade de Chicago em evento em homenagem ao cientista.
Para aguentar o calor escorchante e a intensa radiação nas proximidades do Sol, 500 vezes mais fortes do que a experimentada por naves na órbita de nosso planeta, a Parker Solar Probe será equipada com escudo térmico e blindagem inéditas na História da exploração espacial. Fabricado com compostos de carbono e com aproximadamente 11,5 centímetros de espessura, o escudo será capaz de resistir a temperaturas de cerca de 1,4 mil graus Celsius enquanto mantém os instrumentos da sonda funcionais em temperatura ambiente.
“O escudo não só terá que aguentar estas altas temperaturas como resistir às órbitas, com uma variação de quente, frio, quente, frio”, destacou Nicola Fox, cientista de projeto da missão junto ao Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que lidera o processo de construção e será responsável pela operação da sonda.
Ao longo de sete anos após seu lançamento, a Parker Solar Probe fará sete sobrevoos por Vênus para gradualmente diminuir sua distância do Sol nos seus chamados periélios, o ponto de maior aproximação de nossa estrela na sua órbita. A missão prevê um total de 24 órbitas da sonda em torno do Sol, pelo qual passará a velocidades de cerca de 720 mil km/h nestas maiores aproximações
“Vamos entrar direto na corona (a “atmosfera externa” do Sol), pois só depois de irmos lá e “tocarmos” o Sol poderemos responder questões antigas como porquê a corona é mais quente que a superfície do Sol e que processos nesta região energizam partículas para lançá-las em alta velocidade pelo espaço”, acrescentou Nicola.
Segundo a cientista, apesar de uma sonda para estudar de perto o Sol estar no topo das listas de projetos tanto da Nasa como da Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF) há anos e fosse um desejo dos pesquisadores desde as previsões de Parker feitas seis décadas atrás, ela demorou 50 anos para sair do papel porque os materiais necessários para construí-la de forma a resistir o ambiente extremo das cercanias do Sol “simplesmente não existiam”.
“Com a Parker Solar Probe também teremos informações para melhor prever o clima espacial que pode afetar a vida em nosso planeta “, concluiu Nicola.

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