domingo, 4 de junho de 2017

“Não precisa mais de prova nesse país para ser indiciado”, diz Lula


No encerramento do 6º Congresso do PT, neste sábado (3) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os procuradores da Lava Jato, e afirmou que “em qualquer lugar do mundo, para ser indiciado, tem que ter prova. Agora não precisa mais de prova nesse país”. A declaração foi em referência ao pedido de prisão feito pela Procuradoria da República contra ele no caso do triplex do Guarujá.
Ele também falou do que chamou de “meninices dos procuradores da Lava Jato, sugerindo que a “teoria do domínio do fato” deve valer também para o juiz Sergio Moro e para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
"Eu não sei se o procurador geral da República (Rodrigo Janot) ou o Moro, eles têm um amigo que foi preso (...). Veio pedir desculpa na televisão, disse que ficou chateado, porque o procurador era amigo deles, queria fazer jantar com o procurador. Não sei se a teoria do domínio do fato cabe para eles ou se eles sabiam que o cara era ladrão", provocou o ex-presidente.
Lula acompanhado da nova presidente do partido, Gleisi Hoffman
Lula acompanhado da nova presidente do partido, Gleisi Hoffman
“Só têm um jeito de [ os agentes do Ministério Público Federal] saírem dessa enrascada: é pedindo desculpas. (...)”, afirmou. "Eu não tenho desafiado a Justiça nem o Ministério Público porque é uma instituição que ajudei a fortalecer como deputado constituinte. O que tenho é contra as meninices dos procuradores da Lava Jato", disse o petista, afirmando que o MPF está em uma “enrascada” por não ter provas contra ele. O discurso do ex-presidente foi recebido com aplausos pela plateia.
O ex-presidente fez as declarações logo após a senadora Gleisi Hoffmann ser eleita para presidir o PT até 2019. "Se tudo isso é para evitar que Lula seja candidato, que tratem de anunciar quem é o candidato deles”, afirmou. Em desafio aos procuradores, ele afirmou: “Porque como é que faz depois de dois anos e meio dizendo que o Lula era culpado, prendiam não sei quem e diziam que o Lula seria delatado? Já prenderam uns 700 e o máximo que estão conseguindo com as delações é alguém dizer que 'eu acho que ele sabia'", reforçou.
Lula ressaltou também que, em mais de dois anos de investigações, nunca encontraram prova de que ele tenha se beneficiado com o esquema de corrupção na Petrobrás. O ex-presidente então mencionou a teoria do domínio do fato, segundo a qual uma pessoa, mesmo não tendo praticado diretamente uma irregularidade, ordenou a ação.

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