domingo, 4 de junho de 2017

Ministro recorre à imagem de Madame Bouvary, mas esquece de Aécio e Loures


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Nunes tenta manter o apoio do PSDB a Temer
Pedro do Coutto
Numa entrevista a um grupo de repórteres, em Washington ao anoitecer de sexta-feira – transmitida pela GloboNews e comentada por Alberto Bombig e Cláudia Trevisan, na edição de sábado de O Estado de São Paulo –, o ministro Aloysio Nunes Ferreira recorreu à imagem de Madame Bouvary, famosa personagem de Gustave Flaubert, para defender a permanência do PSDB na base de apoio ao presidente Michel Temer. O ministro das Relações Exteriores disse que o comportamento de seu partido não pode ser a traição assumida por Ema Bouvary em relação a seu marido Charles Bouvary, destacado no romance de Flaubert que causou ao autor até um processo na Justiça francesa.
Aloysio Nunes Ferreira se apegou a uma situação refletida na literatura no ano de 1857, portanto há 160 anos, quando a França era governada por Napoleão III, sobrinho de Bonaparte. Hoje em dia, o romance de Flaubert não escandalizaria mais ninguém. Os tempos são outros.
TEMER E O PSDB – Inclusive vale lembrar que, ao se defender num Tribunal de Paris Flaubert, afirmou o seguinte: “Madame Bouvary sou eu”. O tema transformou-se num filme da Metro em 1949 com Jennifer Jones no papel título, que interpretou de maneira profunda a personagem. Mas esta é outra questão.
O ministro Nunes Ferreira está se empenhando para evitar o rompimento do PSDB com o presidente Michel Temer. Ao criticar o que classificou de infidelidade, esqueceu os comportamentos do senador Aécio Neves e do suplente de deputado Rocha Loures, os quais evidentemente chocam-se com os princípios partidários. Não só do PSDB, como de quaisquer partidos políticos. Infiéis, portanto, são aqueles que fogem do reconhecimento da infidelidade à ética e ao sistema legal do país. Os que desejam a ruptura são, portanto, fiéis à doutrina legal.
Vale acentuar que a prisão de Rocha Loures, por qualquer motivo, implicou num constrangimento para o presidente Michel Temer. Tanto assim que ele na sexta-feira à noite esteve em São Paulo quando pediu apoio do governador Geraldo Alckmin no sentido de usar de sua influência para impedir a ruptura dos Tucanos, especialmente os que integram a ala jovem da legenda.
VAIVÉM – Na madrugada de sábado, retornou a Brasília. Entretanto, ao tomar conhecimento da prisão de Rocha Loures na manhã de sábado voltou a São Paulo para se avistar com o advogado Antonio Carlos Mariz. No mesmo sábado, retornou à capital do país.
Com base no relato apresentado pelos jornais da GloboNews, o presidente da República irritou-se fortemente com a frase de Rodrigo Janot proferida no pedido de prisão despachado pelo ministro Edson Fachin, de que Rodrigo Rocha Loures, na trama desenrolada na noite da mala em São  Paulo, representava uma espécie de mão longa do presidente. Michel Temer considerou haver um complô contra ele colocado em ação pelo Procurador Geral da República e pelo ministro-relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.
Pelo quadro exposto, a inquietação de Michel Temer, que havia se evidenciado na noite paulista cresceu em intensidade, no alvorecer de sábado.
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