terça-feira, 6 de junho de 2017

Medo de novas gravações significa confessar que elas podem existir


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Charge do Montanaro (Folha)
Pedro do Coutto
Reportagem de Catarina Alencar, Júnia Gama e Jailton de Carvalho, O Globo desta segunda-feira, reproduz declarações de Gustavo Guedes, advogado do presidente Michel Temer, acentuando o temor de que Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, possa divulgar novas gravações de diálogos do presidente da República durante o julgamento da ação, ajuizada inclusive pelo PSDB, que tem início nesta terça-feira. Ora, se há perspectiva da liberação de outras gravações de reflexo negativo para o presidente da República, é confessar tacitamente que elas podem existir.
Caso contrário, se fossem elas falsas, não haveria motivo para temor ou preocupação, pelo contrário, desarmaria totalmente qualquer posição contrária a Michel Temer. Mas o advogado Gustavo Guedes, além da preocupação com o surgimento de novos diálogos relacionados a Joesley Batista afirma, num gesto de inabilidade, que o Palácio do Planalto já tem os votos necessários para vencer o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. Por isso o governo trabalha – acrescentou – para minimizar o impacto da delação da JBS.
DUPLA MANCADA – Como se vê, em nenhum momento Gustavo Guedes nega a existência de outras gravações, além daquela do encontro a 7 de março no Palácio Jaburu. Além disso, dá outra mancada, extremamente negativa, ao anunciar a vitória antes do término da partida, como é o caso de jogos de futebol. Aliás, pelas declarações de Gustavo Guedes que se encontram na matéria publicada pelo O Globo, fica exposta de forma nítida a antecipação de um resultado, o que deixa em posição desconfortável os sete ministros do Tribunal.
De outro lado, surge a informação de que o presidente do Tribunal, Gilmar Mendes, tem mantido diálogo constante com o Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá. O que quer dizer isso? Dá a impressão de um entrosamento sem cabimento ético.
PEDIDO DE VISTA – A defesa do presidente Michel Temer, contraditoriamente, admite que possa haver um pedido de vista o que poderia adiar o desfecho da ação. Mas se os advogados que defendem Temer, especialmente Gustavo Guedes, afirmam que o Presidente da República sairá vitorioso do julgamento, não há porque paralelamente admitir que ocorra um pedido de vista. Caso haja, porém, o presidente da República teria seu destino protelado por mais quinze dias.
De qualquer forma o desfecho será político, sobretudo se o PSDB, como a maioria da legenda está desejando, romper com o governo. O presidente Michel Temer teme essa ruptura e inclusive pediu o apoio do governador Geraldo Alckmin para tentar conter a base paulista.
No final da ópera neste momento, o presidente da República está envolto por uma nuvem de dúvida: ao mesmo tempo em que acusa o Procurador Geral da República de agir contra ele, reconhece por ação tácita a existência de novas peças capazes de inviabilizá-la para prosseguir seu roteiro no Palácio do Planalto. Em síntese: Michel Temer balança entre o Planalto e a Planície.
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