quinta-feira, 22 de junho de 2017

Legado da reforma: Pastores recriam previdência privada para atrair evangélicos


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Ilustração do Manga (Arquivo Google)
Deu em O Tempo
“Evangélicos são fiéis aos seus comandos. Não possuem vícios que os obrigam a consumir supérfluos como cigarros, bebidas e drogas. Esforçam-se para manter seus nomes em situação confortável nos cadastrados financeiros.” Ah, sim: e já são 30% do país, o que dá mais de 60 milhões de brasileiros. Não dá para ignorar um mercado fiel com esse. O trocadilho é por conta da casa – nesse caso, o Instituto Brasileiro Evangélico de Memória Pastoral (Ibemp), criado por Lemim Lemos, 74, para gerir o BemPrev, um fundo de pensão voltado a cristãos.
Pastor da Igreja Batista, ele anunciou seu plano a outros líderes religiosos no Rio, na última segunda-feira, dia 12. “Nossa intenção é virar o maior fundo de previdência privada do Brasil”. Ouve-se um “amém!” na sala. Vice-presidente do Ibemp, o pastor Flávio Lima, 72, diz que “a previsão no primeiro semestre é alcançar 150 mil afiliados. A ideia é, em dois anos, termos mais de um milhão”.
DOIS FRACASSOS – Hoje, são 13 milhões de brasileiros com alguma previdência complementar, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida. O BemPrev é um sonho antigo – e já naufragou duas vezes. A primeira nos anos 1950 e a mais recente em 2013 – a postergação se deveu a “dificuldades de natureza técnica”, segundo Lemos.
O projeto atual está com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), que gere previdências abertas a qualquer pessoa física ou jurídica. “Qualquer um mesmo”, frisa o pastor. Até a Igreja Católica está listada como potencial cliente no Ibemp, entre gigantes evangélicos como Universal e Deus É Amor. Ele diz que o presidente de uma associação espírita lhe sondou para saber se sua religião era bem-vinda. Respondeu que sim.
A contribuição mensal mínima será de R$ 50, com “taxas de administração mais competitivas” do que as cobradas no meio, diz Gabriel Escabin, da Globus Seguros. A corretora comercializará os produtos previdenciários do Ibemp, que serão geridos pela Mapfre e outras seguradoras.
O Ibemp cobrará do beneficiário ainda R$ 25 por mês, por um “cartão de vantagens” que dará descontos em redes varejistas. Entre as parcerias já fechadas, estão farmácias e uma ótica em Vitória (ES).
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