domingo, 4 de junho de 2017

'La Croix': Temer está na presidência com assento ejetável

Jornal não considera convincente crescimento de 1% do PIB


O país voltou a crescer no primeiro trimestre 2017, mas a recuperação econômica permanece altamente limitado pela instabilidade política, diz a matéria publicada pelo jornal francês La Croix nesta sexta-feira (2).
O diário fala que finalmente chega uma boa notícia para o Brasil, que atravessa um dos piores períodos da sua história. Após dois anos de recessão, o país voltou ao caminho do crescimento em um trimestre. Mas o gigante sul-americano está longe de sair do bosque, pois há muitas incertezas.
A classe política como um todo está sob suspeita depois de muitas revelações sobre a extensão da corrupção e extorsão no país
A classe política como um todo está sob suspeita depois de muitas revelações sobre a extensão da corrupção e extorsão no país
Insuficiente crescimento, mas saudado por políticos
Depois de oito trimestres consecutivos de declínio, 2017 começou com um crescimento de 1% do produto interno bruto (PIB) durante os primeiros três meses do ano. O anúncio foi feito na quinta-feira 01 de junho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este aumento não permite o atraso depois de uma recessão de 3,6% no ano passado e 3,8% em 2015.
As autoridades acolheram estes números positivamente. O atual presidente, Michel Temer, anunciou nesta terça-feira, 31 de Maio do "o fim da pior recessão na história" do Brasil, enquanto o ministro das Finanças Henrique Meirelles afirmou ser um dia "histórico", o último no entanto, alertou que "ainda falta um longo caminho a percorrer para alcançar a recuperação econômica completa."
Mercados em turbulência
Esta boa notícia não tranquiliza os mercados completamente. Eles estimam que o crescimento deve ser de 0,5% este ano. Mas a incerteza prevalece, como o país está enfrentando uma grave crise política, o que afeta os mais altos níveis do Estado, aponta o La Croix.
A classe política como um todo está sob suspeita depois de muitas revelações sobre a extensão da corrupção e extorsão no país. Depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e a acusação que paira contra o super popular Lula, agora chegou a vez de Michel Temer entrar na mira dos magistrados.
Um presidente no assento ejetável
Seu mandato agora está só por um fio desde a revelação, em meados de maio, de um compromisso registro no qual ele parece concordar em comprar o silêncio de um ex-deputado que agora está na prisão.
Nervosismo do mercado
O destino do presidente Temer poderia ser selado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julga a partir de Junho 6 irregularidades no financiamento da campanha de 2014 ao lado de Dilma.
Instabilidade que mantém nervosismo do mercado, conclui La Croix, que acrescenta que a agência de rating Standard and Poors advertiu na semana passada que poderia rebaixar a dívida soberana do Brasil, devido à "crescente incerteza política".

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