domingo, 14 de maio de 2017

Juiz não pode pensar em consequências políticas, diz Moro


O magistrado participou, ao lado do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, de evento em Londres

BAHIA.BA
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Foto: Cynthia Vanzella / Brazil Forum UK

Responsável pelos processo da Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sérgio Moro afirmou neste sábado (13), durante palestra em Londres, que os magistrados não podem pensar nas consequências políticas de suas decisões.
“Quando se condena, por exemplo, um ex-político de envergadura, alguém que teve um papel às vezes até respeitável dentro da conjuntura política do país, isso vai gerar reflexos dentro da vida partidária. […] O juiz não pode julgar pensando nisso, o juiz tem que cumprir seu dever e julgar segundo as leis e as provas”, declarou Moro, ao reconhecer que um julgamento “sempre tem reflexos políticos”.
O juiz participou, ao lado do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, do Brazil Forum UK, evento organizado por brasileiros que estudam em universidades britânicas.
“Se o juiz for julgar pensando na consequência política, ele não está fazendo seu papel de juiz. Muitas vezes tem essa confusão de que julgamentos são políticos, quando na verdade não são”, acrescentou Moro, sob vaias e aplausos da plateia.
Cardozo, por sua vez, disse enxergar um “fortalecimento do Judiciário” em comparação com os poderes Executivo e Legislativo, o que teria levado juízes a tomar decisões além da lei.
“Hoje nós temos um problema no mundo. Quem limita o arbítrio do Judiciário? Quem controla o controlador? Essa é uma questão mundial. Absolutamente mundial. Há autores que falam de ditadura de juízes”, declarou Cardozo.
O ex-ministro disse não acreditar na “neutralidade” de quem julga, mas defendeu a necessidade de o ser imparcial.
“Eu vejo hoje no Brasil e no mundo decisões judicias que vão além do que a lei permite. O juiz não é neutro, é humano. Um juiz jamais será neutro. Ele não pode é ser parcial. Eu falo isso por convicção, não é de agora”, afirmou. Informações do G1.

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