terça-feira, 16 de maio de 2017

Denúncia contra Cabral e Côrtes é só “a ponta do iceberg” da corrupção


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Falta apurar muita corrupção, diz o procurador
Fernanda Krakovics
O Globo
Procuradores da força-tarefa da Lava-Jato no Rio afirmaram que a denúncia apresentada, nesta terça-feira, contra o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes e outras cinco pessoas é apenas “a ponta do iceberg” da corrupção na área da Saúde no estado do Rio.
– Essa denúncia engloba 35 repasses mensais de propina pelos empresários, levantadas através da contabilidade paralela na residência do Carlos Bezerra. Esses aportes eram de R$ 400 a R$ 500 mil por mês, somando em torno de R$ 16 milhões. A gente sabe que essa quantia é maior. Essa denúncia de hoje é só a ponta do iceberg da corrupção na Saúde no Estado do Rio – disse o procurador regional da República José Augusto Vagos.
RASTREAMENTO – A força-tarefa da Lava-Jato no Rio aposta na cooperação internacional com os Estados Unidos, as Ilhas Virgens Britânicas e as Bahamas para rastrear o dinheiro de propina recebido pelo empresário Miguel Iskin no exterior e depois distribuído para outros integrantes da organização criminosa.
– As investigações estão caminhando para valores muito maiores. Só de importações, a Secretaria de Saúde fechou contratos de US$ 277 milhões nesse período. Está sendo descortinado que o Miguel Iskin ganhava de 30% a 40% desses valores no exterior e depois fazia a distribuição desse sobrepreço, da propina, tanto para o Sérgio Cabral quanto para outras pessoas que ainda não estão denunciadas, mas que fatalmente vão cair nas investigações, tanto da parte administrativa do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) até notícia de agentes públicos em Brasília, no Ministério da Saúde – disse a procuradora da República Marisa Ferrari.
DESDE A POSSE – Segundo o procurador Vagos, o desvio de dinheiro na secretaria de Saúde foi instituído quando Cabral tomou posse como governador, em 2007. Ainda de acordo com o procurador, Sérgio Côrtes teria sido nomeado secretário já com o objetivo de transferir para lá o esquema de corrupção que havia no Into, do qual era diretor.
Segunda a denúncia feita pelo MPF, parte da propina, no valor de R$ 500 mil, foi paga pelo empresário Gustavo Estellita por meio de uma doação oficial de campanha ao partido Solidariedade, no dia 25 de julho de 2014. O repasse foi feito em nome da Levfort Comércio e Tecnolgia Médica.
Ainda de acordo com o MPF, essa doação será investigada e poderá fundamentar nova denúncia por lavagem de dinheiro. Perguntados se o repasse poderia ser compra de apoio para a eleição do governador Luiz Fernando Pezão, os procuradores afirmaram que isso ainda será investigado. “Não necessariamente o partido tinha ciência da origem desse dinheiro” — afirmou Vagos.


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