O raciocínio aqui desenvolvido se resume em que na mesma
medida com a qual o Regime Militar de 64 a 85 passou a ser
considerado por muitos como melhorou ,no mínimo, “menos ruim”, que os governos
do PT, iniciados em 2003,e que se mantém
até hoje,tudo indica que teremos pela
frente um futuro pior ainda, se prosperar qualquer das
alternativas em cogitação hoje pelos políticos.
A Presidente Dilma Rousseff hoje vai aos jornais e aos
“berros” diz que seu mandato está legitimado pela “democracia”. Mas quem tiver
o cuidado de estudar essa “coisa” que ela chama de democracia concluirá que, na
verdade ,se trata da OCLOCRACIA,
conhecida desde o historiador e geógrafo Polibio, na Antiga Grécia, que é a
forma degenerada de democracia, praticada por uma população que nunca soube o que é
democracia de verdade, pela massa inculta,ingênua,ignara ,interesseira ,e que
se vende por um mísero prato de comidaem proveito da patifaria política. Assim
a democracia de “Pindorama” só tem forma de democracia ,mas dela nenhuma
essência, substância, conteúdo.
Se antigamente as tiranias eram implantas pela força das
armas e dos exércitos, hoje os métodos sofisticaram. Não se derrama mais
sangue. Nem é preciso. Tudo acontece dentro das leis. E se as leis não
permitem,”eles” fazem outras que passam a permitir. Até “remendam” a
constituição,onde e quandolhes interessa, que já é uma colcha de retalhos para ninguém botar defeito, de tantas “emendas”.
Em certas ocasiões chamam o povo, com o qual jogam livremente, para “decidir”
nas urnas. Mas na verdade ésó para homologar o que “eles”querem. Bem sabem esses espertos como é fácil dirigir
a cabeça do povo. São múltiplas as técnicas. Funcionam como “lavagem cerebral”.
Em vista da insustentabilidade do governo federal instalado
em janeiro desse ano, devido àmaior corrupção governamental de todos os tempos,
praticada mais fortemente nos governos do PT ,estabeleceu-se a
necessidade de destituição da Presidente da República. A “corporação”
política com mandatos no Congresso, bem como seus partidos políticos de
sustentação, viram-senum beco sem saída.
Foramforçados a achar uma fórmulaqualquerpara contornar esse problema,
colocando em risco as suas próprias cabeças, caso a opção seja pela permanênciada Presidente.Devem ter
colocado na balança a seguintequestão : “ou ela,ou nós todos !!!“. Trata-se,por
conseguinte, do desafio de buscaremmecanismos de defesa pela própria
sobrevivência política.E a corporação política é mais forte que a pessoa da
Presidente Dilma. Deve vencer.
As “costuras” que os políticos provavelmente estão fazendo a
esta altura dos acontecimentos ,por mais malabarismos que tenham, devem se ater
aos limites da Constituição, vigente ou “remendada” através de alguma Emenda
Constitucional(PEC) a ser feita “às pressas”, que será, provavelmente, a saída
que “eles” terão.
No regime constitucional vigente, no eventual impeachment ou
vacância na Presidência daRepública,deve assumir o “vice”. Novas eleições só
iriam ocorrer no caso de impeachment ou vacância conjunta dapresidência e vice,se
isso acontecesse nos dois primeiros anos de mandato. Nos dois últimos, a
eleição deveria ser feitadiretamente pelo próprio Congresso Nacional.
Então tudo indica que a Presidente e seu Vice serão levados
ao “sacrifício”, forçados por qualquer meio à renúncia dos seus mandatos. Mas a
esta altura dosacontecimentos , é mais provável
que as “chapas” para a nova disputa já estejam prontas. O “arranjo”já estaria
feito na “democracia” interna do meio político. Seria praticada uma eleição aos
“atropelos” do curto prazo constitucional
As novas eleições seriam realizadasno prazo de 60 dias.
Mas estariam os eleitores brasileiros devidamente preparadosa
fazer essa nova escolha ,às pressas”,pelo
melhor?
Não creio, apesar do título eleitoral que eles têm à mão.Essas
carteirinhas não registram nada do que tem ou não no interior da cabeça do
eleitor. Se em tempos normais essa “democracia” já é um desastre, o que não
dizerquando tudo acontece em caráter de
urgência? Em 60 dias? É mais provável
que com a escolha que for feita ,nesse pervertido método,tenhamos que conviver
com novo “lixo” político,egresso dessa democracia deturpada. Parece que seria a
vez do “lixo” da oposição de hoje, que certamente seria “reforçada” por grupos
que abandonariam o barco do governo, como muitos do PMDB, que na sua história
de “migrações” sempre optou por estar ao lado e mamando nas “tetas” dosgovernos.
Qualquer “porcaria” que fosseescolhida pelos políticos dominantes seria
transformada em esperança, e logo em
seguida em presidente, ”homologado” nas urnas e diplomado pela Justiça
Eleitoral.
Dentro do capitalismo, as candidaturas da sua “democracia”
são vendidas com as mesmas características que qualquer outro produto do
mercado. As esquerdas locais praticam essas técnicas “capitalistas” com
inigualável maestria, através dos chamados “marqueteiros”. Que esquerda de
“merda” éesta,então ? Como acreditar
numa “esquerda” que superou a “direita” na capacidade de enganar e roubar? Que
desviou dos cofres públicostantos bilhões que os da direita de ontem devem
estar hoje envergonhados e sentindo-se meros punguistas? Batedores de carteira?
O que deve ficar muito claro é que qualquer “saída” que for dada
pelo meio político para contornar a grave situação hoje vivida no país, não
servirá. Nem importa qual o lado que passaria a comandar o país. Nesse “esgoto”
todos os ladossão igualmente fétidos e estão igualmente contaminados.
O que fazer, pois?
Restariam duas alternativas. Uma seria o povo tentar afastar
toda a classe política na “porrada”. Mas fala-se do verdadeiropovo, e nunca dos
impostores que se passam por povoe que só agitam e depredam tudo nas manifestações de rua. Fala-sedo povo que não gosta de
violência ,nem tem armas. Mas esta saída tem que ser descartada de plano.
Parece inviável. Se o povo assim agisse, diretamenteatravés da força que tem, e
que se resume nos músculos, pedras e paus, a “Comandante em Chefe das Forças
Armadas” certamente mandaria seuexército reagir à bala. O povodesarmado não
teria qualquer chance.
A única outra saída, então,fora do meio político, seria a
INTERVENÇÃO INSTITUINTE DO POVO, em parceria com as Forças Armadas,
queserviriam , nesta ocasião, de mero “instrumento” da SOBERANIA POPULAR, conforme previsão do artigo 142 da Constituição
Federal . Essa alternativa também deveriaser estudada a fundo no meio militar,
uma vez que a rejeição à ideia lá dentro é forte, talvez provocado pelos
“dissabores” ,em boa parte injustos, herdados de 64. Mas essa INTERVENÇÃO teria
que ter como únicos objetivos(1) fazer uma limpeza geral nos Três Poderes,
eliminando-se para sempre da vida
política os malfeitores da sociedade que
e já são e ainda serão conhecidos
e ;(2) preparar o terreno para novas
eleições num prazo
razoável, porém condicionando a nova capacidade eleitoral de votar a um mínimo de requisitos que não poderiam continuar sendo os atuais, que é o mesmo que nada,mas que têm força suficiente para transformar o ideal
da democracia na sua contrária, aoclocracia, que pode provocar efeitos mais danosos à sociedade que qualquer
ditadura, tirania ou oligarquia.
Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e Sociólogo
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