Falta de emprego faz os trabalhadores mudarem para outros estados.
Mais de 200 caminhões distribuem água em propriedades do norte de MG.

O agricultor Mário Barbosa, de 80 anos, tinha um rebanho de 47 cabeças na propriedade em Espinosa. Mas os 27 animais que sobreviveram estão debilitados, com baixo valor no mercado. Quando o caroço de algodão vai para o coxo é possível perceber o tamanho da fome. Pelo pasto seco, o produtor sabe exatamente o caminho que cada animal percorreu antes de morrer. Ele acumula um prejuízo de R$ 20 mil.
A barragem do Estreito, que abastece o município de Espinosa, deveria estar inundada se não fosse a estiagem rigorosa. Aproximadamente dois mil hectares de plantações deixaram de ser irrigados. A estação de captação da companhia de abastecimento está desativada por falta de água. A capacidade máxima da represa é de 76 milhões de metros cúbicos. Deste total, restaram apenas 8%.
Mais de 200 caminhões pipa distribuem água nas propriedades do norte de Minas Gerais. Mas nem sempre os caminhões são suficientes. Em Mamonas, a seca castiga mais de dois mil produtores.
No sertão, persistir é mania tanto dos homens quanto dos animais. Mas em algum momento alguns desistem. Quem antes lidava com a terra, agora vai revirar concreto. Eles serão operários da construção civil em São Paulo. "Sai na expectativa de encontrar uma melhora para poder adquirir o pão de cada dia para a família”, diz o agricultor Amilton Lima.
Nenhum comentário:
Postar um comentário