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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Estudo aponta fertilidade nas várzeas do Rio Madeira, em Porto Velho


Pesquisa comprova o que os ribeirinhos já sabiam.
Produtos são plantados na época de seca do rio.

Larissa Matarésio Do G1 RO

Ribeirinhos plantam melancia na vazante do Rio Madeira (Foto: José Melo/Divulgação)Ribeirinhos plantam melancia na vazante do Rio Madeira (Foto: José Melo/Divulgação)
Às margens do Rio Madeira, em Porto Velho, em se plantando tudo dá. A afirmativa não é novidade para os ribeirinhos, que cultivam mandioca, melancia, feijão e outras culturas às margens do Madeira. Mas agora o que essa comunidade já sabe há décadas foi comprovada por um estudo. Durante dois anos foi feito um acompanhamento técnico que apontou que há fertilidade nas várzeas do Rio Madeira.
“Todos já sabiam da fertilidade das terras das margens do rio Madeira, mas de forma empírica. Pela primeira vez é feito um levantamento científico, com coletas de amostras de solo, análise e acompanhamento das áreas inundadas provocadas pelo regime de enchente normal do rio”, afirma o analista socioambiental da Santo Antônio Energia, Antonio Marques de Mello Neto. A concessionária fez o estudo para poder direcionar as ações de compensação socioambiental na região do Baixo Madeira.
O presidente do Conselho das Associações e Cooperativas do Médio e Baixo Madeira (Conacobam), José Wilson de Melo, explica que a margem do rio pode ser dividida em três partes. “Na terra alta, o cultivo pode ser feito durante o ano todo, só quando o rio enche muito que acontece a alagação. Agora, na terra baixa e na vazante, onde a terra é mais fértil, só dá para plantar quando o rio começa a baixar e as margens ficam expostas, mas essa é a melhor terra, tudo nasce”, conta.
O relatório da pesquisa apontou a grande concentração de Fósforo (P) presente no solo que multiplica as células e promove o crescimento das raízes, maturação e melhor formação dos grãos e frutos, sendo essencial para o metabolismo vegetal. Também há a presença de Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Potássio (K) e Sódio (Na), comprovando a fertilidade dos solos.
Atravessador atrapalha
Mas para José Wilson, o que é plantado hoje, não representa metade do potencial destas terras. “Estes pequenos agricultores ribeirinhos poderiam plantar muito mais e vender para grandes distribuidores do mercado sem precisar do atravessador que compra os produtos por um preço mais baixo. Mas é difícil chegar ao mercado, é preciso organização, e a região ainda é carente nisso”, diz.
Presidente do Conacobam fala da fertilidade das terras ribeirinhas de Porto Velho (Foto: Larissa Matarésio/G1)Presidente do Conacobam fala da fertilidade das
terras ribeirinhas de Porto Velho (Foto: Larissa
Matarésio/G1)
Segundo José, a área é tão fértil porque a cada ciclo de cheia do rio há renovação da terra que foi utilizada na estação anterior. “O movimento de renovação é constante, quando o rio baixa o volume de água a terra que estava por cima sai para dar espaço a nova terra e sedimentos que o rio deposita. Esta terra é tão fértil que nem precisa de adubação e muito menos de agrotóxicos”, relata.
Produção
Durante a época de seca, que dura em média quatro a cinco meses, na parte vazante do rio, parte mais baixa, são plantados produtos rasteiros como a melancia, o feijão, o maxixe e o tomate. “Só este ano que a nossa produção de feijão de corda será mais baixa, porque o leito do rio demorou para descer, já que o período de chuvas se estendeu um pouco mais, mas as outras produções foram muito boas”, conta.
O presidente do Conacobam ressalta que seria muito importante para os ribeirinhos a regularização fundiária desta região. “Sendo dono de papel passado de suas terras, o ribeirinho poderá comprar equipamentos, aumentar sua produtividade e melhorar de vida. Estamos lutando por isso. O próprio cultivador tem percebido a importância de certas atitudes como a de não fazer queimadas na terra antes do cultivo, já que isso prejudica as plantações da próxima safra”, diz.

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