Pesquisa comprova o que os ribeirinhos já sabiam.
Produtos são plantados na época de seca do rio.
Ribeirinhos plantam melancia na vazante do Rio Madeira (Foto: José Melo/Divulgação)“Todos já sabiam da fertilidade das terras das margens do rio Madeira, mas de forma empírica. Pela primeira vez é feito um levantamento científico, com coletas de amostras de solo, análise e acompanhamento das áreas inundadas provocadas pelo regime de enchente normal do rio”, afirma o analista socioambiental da Santo Antônio Energia, Antonio Marques de Mello Neto. A concessionária fez o estudo para poder direcionar as ações de compensação socioambiental na região do Baixo Madeira.
O presidente do Conselho das Associações e Cooperativas do Médio e Baixo Madeira (Conacobam), José Wilson de Melo, explica que a margem do rio pode ser dividida em três partes. “Na terra alta, o cultivo pode ser feito durante o ano todo, só quando o rio enche muito que acontece a alagação. Agora, na terra baixa e na vazante, onde a terra é mais fértil, só dá para plantar quando o rio começa a baixar e as margens ficam expostas, mas essa é a melhor terra, tudo nasce”, conta.
O relatório da pesquisa apontou a grande concentração de Fósforo (P) presente no solo que multiplica as células e promove o crescimento das raízes, maturação e melhor formação dos grãos e frutos, sendo essencial para o metabolismo vegetal. Também há a presença de Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Potássio (K) e Sódio (Na), comprovando a fertilidade dos solos.
Atravessador atrapalha
Mas para José Wilson, o que é plantado hoje, não representa metade do potencial destas terras. “Estes pequenos agricultores ribeirinhos poderiam plantar muito mais e vender para grandes distribuidores do mercado sem precisar do atravessador que compra os produtos por um preço mais baixo. Mas é difícil chegar ao mercado, é preciso organização, e a região ainda é carente nisso”, diz.
Presidente do Conacobam fala da fertilidade dasterras ribeirinhas de Porto Velho (Foto: Larissa
Matarésio/G1)
Produção
Durante a época de seca, que dura em média quatro a cinco meses, na parte vazante do rio, parte mais baixa, são plantados produtos rasteiros como a melancia, o feijão, o maxixe e o tomate. “Só este ano que a nossa produção de feijão de corda será mais baixa, porque o leito do rio demorou para descer, já que o período de chuvas se estendeu um pouco mais, mas as outras produções foram muito boas”, conta.
O presidente do Conacobam ressalta que seria muito importante para os ribeirinhos a regularização fundiária desta região. “Sendo dono de papel passado de suas terras, o ribeirinho poderá comprar equipamentos, aumentar sua produtividade e melhorar de vida. Estamos lutando por isso. O próprio cultivador tem percebido a importância de certas atitudes como a de não fazer queimadas na terra antes do cultivo, já que isso prejudica as plantações da próxima safra”, diz.
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