Bonecos são vendidos por até R$ 150, dependendo da roupa.
Moradores 'castigam' Judas no sábado que antecede a Páscoa.
Jean Carlos, o Zé do Judas, vende bonecos no memso lugar há 12 anos (Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)
Bonecos são expostos em cruzamentos(Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)
Zé do Judas, 36 anos, vende os bonecos no mesmo lugar há 12 anos e aceita encomendas. Para ficar pronto a tempo, o boneco precisa ser confeccionado com dois meses de antecedência. “As cabeças são de papel machê e demoram um mês para secar”, explica o artesão que aprendeu a fazer judas com os pais e avós.
Os bonecos de Zé do Judas são da altura de um homem, feitos com estrutura de arame e revestidos de madeira e tecidos. O enchimento contém pregos para fazer a queima durar por até duas horas. “Damos a credibilidade da queima”, diz o artesão. Zé do Judas conta que os preços variam por causa da qualidade do vestuário. “Alguns têm um paletó mais velhinho e outros são mais arrumados”, afirma.
Sérgio Marques pesquisa a tradição do Judasdesde 1991 (Foto: Francisco Viana/Agência Diário)
O artesão cearense Sérgio Marques faz bonecos pesquisa sobre a história dos judas desde 1991. Segundo ele, a tradição vem de longe, passa pela queima de bonecos de palha nos tempos de colheita para espantar as divindades maléficas até ser incorporada ao calendário romano e ao cristianismo. “O costume é uma catarse. Significa um momento de colocar os demônios para fora e se purificar para o domingo da ressurreição”, diz.
Antes de queimar o Judas, a tradição pede que os brincantes leiam um testamento com os “bens” de pouco valor do boneco e o malhem, enforcando e castigando. Apesar de o boneco do Judas representar originalmente uma figura mal vista, Sérgio Marques observa que esse papel vem sendo modificado. “O Judas não é mais só o outro. Ele passou a representar nós mesmos, a ser uma generalização. Isso acontece com o personagem do Lula e da presidente Dilma. Não há agressividade”, afirma.
“O costume de malhar Judas é uma catarse"
Sério Marques
Na semana que antecede a Semana Santa, o artesão ensina gratuitamente a confecção de Judas com garrafas pet no Bairro Gentilândia, em Fortaleza. “Na hora, todo mundo quer ter um boneco”, diz. No sábado de Aleluia, cada um pode levar o seu Judas, a partir das 17h, para a praça do bairro, onde é realizado há 21 anos um festival com a eleição dos melhores. A brincadeira terminará à noite com a queima ao som de forró.
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